O quadrúpede, a cachaça e o Brasil, qual a pergunta?

Para existir vencedores é estritamente necessária a existência de perdedores. É uma questão dicotômica de existência. Acredite, o diabo existe.

A pergunta é o que é um vencedor? O que são vencedores? Para existir vencedores precisa existir uma batalha? Para existir uma batalha os dois lados precisam saber que estão jogando? O homem joga com outro homem sem avisá-lo? O que é um povo vencedor? E um povo perdedor? O que é vencer, desenvolver, progredir, avançar, estar na ponta da ice berg?

A Angola é vencedora, e isto é uma afirmação! Claro que poderia ser, comparada com um país que vivesse em condições sociais, econômicas, étnicas e etc. inferiores equiparadas com ela. Nosso Brasil seria vencedor se fossemos o mesmo país que somos hoje, porém com o restante do mundo em um retrocesso gigantesco comparado com nós. Ou então o restante do mundo estivesse contemplando a capacidade do desenvolvimento que o Brasil encontra-se no atual momento, já que todos os demais estariam com taxas de desemprego acima das nossas, e o nível de renda menor, sendo assim com suas crianças menos alfabetizadas que as nossas, e seu povo em condições de reprodução inferior das favelas cariocas e do semi-árido nordestino. O Brasil deste modo seria o melhor país para se viver hoje no mundo, e seriamos os vencedores.

O que estou tentando dizer é que, para querermos mudança em nosso país, ou então para vermos um horizonte de mudanças e progresso, antes temos que ter a consciência de que existe um mundo melhor hoje, e que o homem em sociedade vive-se em melhores condições em outros lugares. Quando nos comparamos com eles, vemo-nos num retrocesso gigantesco, cujas necessidades por nós passadas hoje, foram superadas pelos vencedores há 100 anos.

Por que um Frances vive-se em melhores condições que um africano? Por que um Estadunidense vive em melhores condições que um Brasileiro? O que faz um povo ser prospero? Moises libertou o povo do Egito, pois seu povo estava preso e vivia em condições horríveis e como subalternos do Faraó. Moises na figura do povo Judeu tentou se libertar da prisão egípcia, pois apesar de tudo via um horizonte progressista, e uma vida melhor para cada um do seu povo.

De que modo o Brasil esta preso? E como o Brasil poderia viver em condições de um Europeu? As limitações do Lucro e a reprodução do capital global permitem que o Brasil alcance seu apogeu sem comprometer outras Nações, digo, o nosso desenvolvimento colocaria em cheque o grau de desenvolvimento dos países mais avançados hoje no mundo?

Em que medida o Brasil poderia se comprometer para fazer uma política de desenvolvimento, isto é, com amplitudes sociais, econômicas, políticas, antropológicas, raciais e etc. de modo que não precisasse de um povo subalterno para financiar seu desenvolvimento. É possível?

Sobre qual aspecto de desenvolvimento estão embasados? Qual Brasil queremos no futuro? O que esta em jogo?

Nossa soberania, nosso povo, nossa economia, nossa qualidade de vida? Ou a permanecia das nações vencedoras no poder? Existe de fato uma dicotomia? Da para todos serem vencedores?

Que política econômica o Brasil tem feito desde seu tempo de colônia? Ela se mostra eficaz para atender os Brasileiros? Quando digo Brasileiro eu falo no mulato, no negro, no baiano, no filho de escravo, no indígena, no filho de indígena, no povo que se formou das terras do Brasil, do povo que veio da áfrica e se miscigenou com os nativos e com os Lusos. Claro que o povo fugido da guerra também é Brasileiro, mas não é o mizeravel. O Miserável é o negro, o índio, o sertanejo, o homem que fala errado, que não sabe de onde veio, não sabe pra que veio, não come, não se veste, não conhece sua força, não sabe política, não sabe que é homem. É este o povo por excelência que eu falo este que sofre de preconceito étnico, racial, e que morre todos os dias de uma doença chama história.

Que política econômica satisfaz este brasileiro? Será que as altas taxas de juros, para controle da inflação ou então a política de cambio apreciado faz de nosso país um lugar melhor para os Brasileiros? Quem esta perdendo? Quem esta ganhando? Quem esta no jogo?

O desenvolvimento da formação bruta de capital fixo gera emprego? E o que é emprego? O que é renda? Para que renda? Para que Consumo? Para que Consumo autônomo, para que Tributos? A Demanda agrega se expande com a exportação de Soja? Minério? Exportar? O que esta em Jogo? Quem ganha, quem perde?

Temos que fazer nosso país crescer, temos que gerar empregos, temos que aumentar a renda, temos que exportar mais, temos que expandir os investimos, atrair capitais, valorizar, lucro... Não quero entrar em contradições e nem me abster da ótica capitalista...

Quero dentro do capitalismo entender estas questões, e o mais importante retornar ao inicio do texto... O que faremos para nos tornarmos vencedores? Ressaltando, vencedores dentro dessa dinâmica. Dentro do capitalismo precisamos vencer!

O que precisamos fazer para se tornar um povo que vive em condições tão boas e confortáveis como um Francês... Isto é direito do Brasileiro? Será que o brasileiro não esta predestinado como diria Paulo, a viver somente de seca, fome, ignorância, sede, suor, preconceito, atraso, cachaça, descaso, ingenuidade... mas ter uma vida em abundancia como diria Emanuel?

Apontar onde estão os erros é a tarefa fácil. Nossa balança de pagamentos é uma vergonha, se quisermos ser um país de ponta, temos que mudar radicalmente os contratos de pagamentos e principalmente rever esta maneira precária de fazer superávit por produtos primários, via cambio competitivo. Nosso investimento em P&D é uma verdadeira miséria, como diria Smith, mesmo que gastamos o dobro, a produção de navios precisa necessária e exclusivamente ser inglesa. Não há olhos para educação, saúde, cultura, nossa matriz produtiva esta engatinhando equiparada aos países europeus, orientais e norte americanos. Contentamos com um ínfimo petróleo bruto, enquanto temos a maior produção de energia verde do mundo. Não damos atenção alguma na valorização dos capitais estrangeiros, devido a estes RMI (Regime de Metas de Inflação), lastreados na divida (publica) do brasileiro (aquele brasileiro que me referi anteriormente) de maneira leviana.

Não estamos nem ai para as Universidades, todas elas são apenas maquinas de reproduzir apologias, não se faz ciência no Brasil, não se cria no Brasil, não se inventa no Brasil. O centro do mundo dita a melodia e o compasso, os países periféricos colocam uma seqüência de vazia de tríades e desrespeita completamente o campo harmônico brasileiro. Damos valor ao Jazz, quando inventamos o mais complexo de todas as músicas, o Baião. Executamos esta canção estrangeira, de tal modo que as universidades centrais dos países periféricos (me refiro a UNICAMP, USP, FGV) fazem a mesma coisa, tocam Jazz ao invés de frevo, e a periferia da periferia insiste também em tocar jazz em vez de samba. O mais curioso de tudo isto, é que ninguém para pra pensar, que o Jazz foi formado justamente da periferia do Centro (Sul dos Estados Unidos), e ele tem suas peculiaridades do próprio centro (Estados Unidos), cujo foi concebido do gueto, do povo, das raízes do negro estadunidense, da periferia. A periferia precisa pensar como periferia, esta é a única maneira de se conhecer, de se pensar, e de se reinventar.

No Brasil, lemos, estudamos, vivemos as necessidades do Estadunidense. As universidades brasileiras de economia estudam a expansão de suas demandas pelo modelo das vantagens comparativas, estudam inflação como o modelo da curva de Philip, e conhecem o valioso o modelo IS-LM para os nortearem a respeito de um ajuste do compulsório. É claro que a periferia quer copiar o centro, mas com o passar do tempo (1500 anos) temos visto que a escada caiu, e o caminho que eles (os desenvolvidos) subiram não esta disponível por esta via (escadas). Vejo que não existem escadas levantadas, e só os quadrúpedes não perceberam que elas estão caídas. Os donos da intelectualidade das universidades “colonizadas” brasileiras (Os Quadrúpedes) passam a ser apenas uma reprografia das vulgaridades retóricas do centro que resumindo tudo, passam e repassam a grande apologia.

Estamos colonizados, as universidades estão colonizadas, os administradores brasileiros estão colonizados, os engenheiros estão colonizados, os economistas estão colonizados, os intelectuais estão colonizados, a universidade esta ignorante como o brasileiro, a universidade e o brasileiro não mudam em nada, ambos carece da mesma miséria.

Não acredito que hoje não exista mais periferia e nem perdedores... Mas reitero minha insatisfação medíocre... Posso ficar uma dissertação de doutorado inteira apenas apontando onde nosso país esta errado, e no que é insuficiente, no que esta atravancando o seu desenvolvimento e como seu povo sofre como a universidade é medíocre, como a economia é medíocre, como a política é medíocre... Mas o coito não muda o mundo, muito pelo contrário, vira apenas história de literatura em escolas de ensino particular...

O que fazer é a resposta da primeira pergunta. O que mudar? Como mudar? Quem perde quem ganha? Quem esta ganhando com a derrota? Como fazer? Como fazer? Como fazer? Temos que desenvolver?

Por Thiago Marques

. Imposto: Violência e Coerção.


Quando deparo-me com certas teorias econômicas penso o quão abstratas elas são, devido talvez a sua falta de praticidade. No entanto, o fator empírico que as teorias representam nos levam a crer que seus estudos baseiam-se na pura observação de resultados e conhecidencias que estabelecem um padrão formando assim uma descrição do que pode acontecer na prática. O que leva-me a pensar sobre o quão absurdo são alguns programas sociais que na teoria possuem bons objetivos, porém na prática possuem resultados opostos àqueles desejados por seus patrono mos.
Como por exemplo posso citar: a Lei do Salário Mínimo. O objetivo desta lei é muito boa, no entanto os meios pelos quais é posta em prática é contraditório, pois esta possui em seu resultado final algo totalmente oposto ao que realmente deseja-se dela, ou seja, promover a igualdade social. O que esta lei favorece é a discriminação de habilidades e o emprego por carência, pois ao estabelecermos um piso salarial existem pessoas que as habilidades não justificam o salário, que por sua vez acabam permanecendo desempregados.
Pode-se citar outro programa social como exemplo: Previdência Social. Novamente, o objetivo desta lei é muito boa, toda via os meios pelos quais ela é posta em prática é que persiste o problema. No exemplo dado, o imposto é arrecadado de duas partes: do empregado e do empregador. Porém economicamente estas duas partes tornam-se uma recaindo todo o montante do imposto ao empregado, pois este receberá menos do que deveria no final, porque basta pensar que a parte do imposto paga pelo empregador será descontada diretamente na folha de pagamento do empregado, pois este imposto representa um custo às empregadoras de modo geral.
Os impostos de certa maneira, juntamente com certos programas sociais, apresentam falácias em sua essência: querer fazer bem com o dinheiro alheio, primeiramente precisam tomar este dinheiro das pessoas, ou seja, no fundo a filosofia do bem-estar social é coerciva, violenta e contra liberdade. O segundo ponto, parte de preceitos microeconômicos mais exatamente da Teoria dos Jogos, que cita a má utilização do dinheiro dos impostos por mãos alheias e como este montante seria melhor utilizado no bolso de quem provém os impostos: da população.
Insisto em dizer no bom objetivo dos programas sociais, e o quanto é difícil entender as teorias, mas como dito no início, as teorias são resultados de observações. Acredito que os programas sociais terão melhores resultados se pensarmos em ações voluntárias cooperativas, pois indiretamente através da ação do mercado, este ajusta a situação num ponto adequado a ambas as partes, sem que tenhamos que nomear alguém para mediar o problema. Este alguém, chamado Governo, é tendencioso, pois sempre tenderá a apontar para um grupo de seu interesse revelando o lado tenebroso do poder: egoísmo e ganância.

André Hasimoto 

. Boicote Infundado



Quando deparo com facetas do consumo no que diz  respeito ao ato de favorecer uma ou outra marca num regime capitalista, destaco uma ressalva, de que vale o  boicote, impugnar um produtor livre seja ele macro ou  micro, se o próprio é legitimado pelos homens livres e sua essência liberal, resultando nos aparelhos estatais e suas respectivas leis que garantem esse tipo de exploração?
O fato de consumir pelo impulso ao se deparar com a feitichização do produto e criar uma série de expectativas na qual somente seu pensamento será  possível justificar, é com certeza a espinha dorsal da propaganda e consequentemente os próprios mecanismos persuasivos, para que te convença de que tudo pode ser alvo do seu desejo, ou até mesmo  cause revolta, tornando passivo de uma tentativa de retalhação massiva.
Será que o boicote a grandes marcas é o caminho para  que haja uma sociedade mais justa? O fato de  consumir de outro capitalista, exime ou alivia a dor da  consciência em contribuir com a desigualdade? Será  que tantos empregos seriam gerados na ausência destes grandes? Ou as melhores práticas seriam forjadas num pensamento coletivo
? Condições de subsistência, será que  alguma empresa livre pode pensar somente nisso,  pouco provável num natural individual e egoísta, não é  mesmo?
O sistema nunca irá ruir por atitudes infundadas, até porque ele cria uma série de mecanismos para se restruturar, vide o sistema bancário, grandes concordatas, intervenções  do governo (mesmo que contraditória no que diz  respeito ao liberalismo clássico, mas tida como uma salvação que deve vir sem alarde em respeito as cifras que foram retidas da população para salvar grandes capitalistas, podendo ocasionar grande resistência), o que fazer em tempo  de crises sistemáticas que foram originadas por derrocadas  individuais?
Em linhas gerais, o esforço para manter o pensamento  como fonte vital de percepção da realidade é perseguida  por todo aparelho e seu censo, talvez fugir do mundo da  criação dos meios de comunicação, e eventualmente  compreender este proceso, viver e melhorar coletivamente a realidade possa ser o  caminho para que ela mude e seja percebida.


Herbert Mellø
(Imagem - Populacho: Intervenção Urbana)

. Imposto Sobre a Estupidez




A característica da perda em um jogo de azar é notória e os acasos são inúmeros pelos quais o apostador obsecado se recusa em reconhecer o vício e a real chance de ganhos. Sendo assim, quando a chance tende a zero num jogo e o ganho é de alto partido como numa megasena, as intenções do governo em promover uma comoção massiva de apostadores, é mais pertinente quando diz respeito ao imposto que lhe é cobrado em cima do prêmio, ainda sem considerar que cada bilhete emitido já é descontado o valor da empresa que proporciona a aposta.
O fato de eu nunca ter conhecido alguém que ganhou na loteria não justifica que eu julgue ela surreal, mas será que ela é tão necessária aos que apostam por ambição de ter uma quantia astronômica sem nenhum trabalho? Façamos a reflexão por outra perspectiva, quantas fiéis apostas foram deixadas ao bel-prazer do governo sem nenhuma resistência ou indigniação e cedidas pelo  concomitante trabalho?
Muitos bingos, cassinos, casas que promoviam jogos do tipo, foram fechadas por promover perdas da população, guardada as proporções, a promoção da desigualdade mais abrangente que uma loteria concerne ainda mais nas camadas de classe econômica mais desfavorável onde o anseio de sair da situação atual e conquistar algo do tipo é o único denominador pra que jogue nesse azar e subtraia ao pouco que se tem, se torna algo instigante e entusiasta.
Nesse processo as realidades são distintas, vide a intenção do estado em promover a igualdade, faça destes atos uma apologia. Certeza só se fosse visível algumas intenções nas quais permanecem desapercebidas pelos que enxergam o glamour da high society sem ao menos ter consciência da fome que se passa, ficamos no aguardo da mudança, pois a ignorância será suprida pela necessidade e não pelos olhos.


Herbert Mellø  
(Foto - Athilla Levy - Herbert Mellø)

. Eleições


Veio-me agora pouco, uma discussão novamento no programa Roda Viva da TV Cultura com o vencedor do prêmio Nobel de Economia, que infelizmente não lembrarei o nome, desculpem, em que um dos entrevistadores questiona o Macro Político sobre qual a melhor forma de se obterem resultados favoráveis numa eleição num país como o Brasil. O Entrevistado permaneceu quieto, e uma de suas poucas palavras, disse a todos que talvez num curto espaço de tempo a ditadura seria a melhor solução até que o Sistema de Educação do país melhore e obtivéssimos resultados dignos de uma nação sabia politicamente.
Pois, bem. As ferramentas da história nos permitem observar o presente através de exemplos fatídicos ocorridos no passodo. Em 1964, após o Golpe de Estado, os militares dividiram-se em duas vertentes: Militares da Sorbone, defendiam uma ditadura breve, porém eficaz e os "Linha Dura" defendiam a permanencia duradoura do exército no Governo. Conclui-se desta experiencia, portanto que nós brasileiros definhamos longos anos perante um Governo Totalitario que assolou o país politicamente através de métodos capiciosos de controle de massa e legou uma economia inflacionada, deficitária e socialmente aumentou o abismo social.
Por fim, pessoas indagam sobre a possibilidade de uma curta ditadura para estabelecermos a ordem e reeducarmos nosso país policamente para posteriormente desfrutarmos dos ganhos obtidos com este tipo de poder no futuro. O passado historico de outros países nos concedem bons exemplos de como revolucionarmos o sistema educacional de um país sem no entanto termos que implantar a Ditadura. Como a Coréia do Sul: aplicou em sua Economia uma política monetária restritiva, elevando a taxa de juros tornando atrativo aos olhos da população a poupança, possibilitando um maior capital de giro ao Governo que aplicou-o na educação.
Obvio, pensar num primeiro momento que todos os tipos de ações econômicas são peculiares em cada país devido ao tipo de mercado que cada país possui. No entanto, pode-se pensar que os EUA e os países europeus em sua grande maioria, são o que aparentam sem no entanto passar por uma ditadura como a nossa.
Acredito em liberdade de escolha. Possuímos hoje, no mundo contemporâneo duas formas de obtermos controle de massa: através do despotismo, medo e em segundo através da desmoralização. No primeiro, impomos a segundos nossas vontades através da brutalidade do Estado, no qual este possue armas que doutrinam a grande massa através do medo e assim segue-se governando. Porém, no segundo caso, o Governo constroi medidas sedativas em seu sistema tornando a população amena a sua condição desfavorecida, desmoralizando-a, empobrecendo-a e alienando-a, tornando o cidadão conivente com seu status quo.
Uma população bem instruída, educada e ativa é respeitada por seus governantes e acima de tudo inverte-se as funçoes, pois são estes que se amedrontam em frente a uma população armada de sabedoria. Com tudo, não sabe-se quais os fundamentos que devemos nos basear para livrar-mos o país desta situação desmoralisante. Apenas, o que não nos convem é uma ditadura.

André Hasimoto  

. A Origem da Desigualdade



Reflexivo e distante, será que conseguimos imaginar factualmente uma realidade distante da nossa, ou melhor, da sociedade moderna? Podemos abrir mão de valores religiosos, impositivos ou coercitivos para enxergar a realidade como verdade absoluta? A resposta é complicada, porque mesmo que o ato de responder seja verdadeiro, dificilmente não entrariamos em contradição ao tentar explicar uma pura reflexão.
Sejamos assim, de forma bruta, não corrompida ou lapidada obrigatoriamente pela sociedade e sua manipulação intrínseca, pois ela sempre ira nortear algum caminho. Seja este o motivo da coesão, o que distingue os seus valores, à respeito dos valores de outra pessoa? Seja a conduta moral de boa índole segundo seus preceitos, ou então o que ela julgue ser entusiasta de condutas completamente opostas.
Tenha em mão o contrato social, que na sua gênese fora originado primordialmente em respeitar a conduta adversa do próximo, e não admitir por força estirpada a intervenção de sua posse, e seus ''direitos''. Igualdade e liberdade, será que ela existe no termo amplo da palavra ou não passa apenas de um subjetivismo imediato ao entonar a palavra numa retórica histórica?
As vezes faço desta reflexão um ponto inicial de persuasão, acreditamos em palavras, discursos, produtos, credibilidade, mas será que ela não é apenas uma forma de explanar versões próprias que fogem da realidade real realmente realizável? Só sei que criticidade é fundamental, a emoção as vezes nos leva aos caminhos que os outros querem que nós tomamos, pra quem não sabe para onde vai ele se torna a única saída.

Herbert Mellø 

. Caprichos da Fortuna



O que legitima o poder? A força talvez seja uma resposta pela qual todos se sentem submetidos a concordar,  pois se sente rendido diante de uma ameaça. Mas será que ela justifica o seu poder natural sobre alguém,  tão igual por ser seu semelhante? Será que é suficiente para se impor sobre muitos que não concordam com  a soberania coercitiva como forma de dominação? São perguntas difíceis porém elucidativas no que diz  respeito a organização histórica do direito na sociedade civil em contratualizar os indivíduos e organiza-los  perante uma ordem comum que garante suas vidas, seus direitos e sua liberdade.
O axioma de várias teorias que consolidam modos de governo e a organização das sociedades pode  contemplar formas de justificar a revolta e o direito de se impor diante da obscuridade dos seus  representantes e a disciplina econômica que o país se posiciona, seja eles desenvolvidos com um liberalismo  que atendem somente a eles, delimitando seus interesses e sua intenção de dominação, ou subdesenvolvidos  que emergem ao entender o desânimo que provém de tanta desigualdade e anseios individuais, mas que  aceitam deliberando somente esta dependência em atender a ''Casa Grande'' e suas vontades.
Quando atingimos algum grau de discernimento sobre o modo como a individualidade e a forma em que se  sobrepõe ao coletivo, o que paira sobre isto é como tanta desigualdade fora originada, e o motivo pelo qual  poucos possuem tudo, e a massa detêm resíduos para se contentar e aceitar este sistema como justo. Ao  criar sobreposições onde seu fracasso provem somente da sua incapacidade produtiva e o seu sucesso como  acaso da mesma, numa nação onde alguns (pois o espaço é limitado) conseguiram montar o seu império e  são tão destacados e tidos como exemplos clássicos de capacidade e possibilidade real de desenvolvimento,  algo que sustenta todas as teorias liberais em manter discursos e ciências utilitárias, e um consumo gradual  e crescente.
Porque não pensar numa ascenção igual ou mais justa, seria o egoísmo propriedade inicial do ser humano ou  da sociedade? Nesta retórica clássica que sobressai uma determinação interior/exterior do indivíduo, são  aportes para o senso comum, que sem saber das causas julgam idealizar uma consequência pela qual talvez  nunca viverá de prosperidade onde sua individualidade atingirá sucesso sem depender de ninguém, e por viés  do destino consolidará este mais um exemplo de superação do sistema.
Tomar consciência deste processo, desvencilhando verdades absolutas pelas quais uma classe determina,  e somente ela detêm a visão que trará a luz para o contrato, é aceitar viver sob as custas dos quais já detêm  uma herança, propriedades, enfim, tudo que proveio da apropriação de uma propriedade sem dono, e a  manutenção em ''direitos'', compilando casos de fortunas nascentes em casos reais e não tão distantes do  imaginário de suas colônias, na qual pode ser contida em última instância a força física na qual os próprios  militares acreditam no nacionalismo como forma de crença em atender o estado e a ordem civil, falseando a  realidade na qual uma minoria ordena que seus direitos obrigatoriamente devem ser garantidos.

Herbert Mellø 

. Rumo certo?


Ao desejar entender as metas políticas do Brasil, sempre o que se passa por minha cabeça nos dias de hoje são trazidos até mim conhecimentos vindos do colégio. Bom, preocupado por tal fato refletir sobre nós um pouco de nosso futuro, procuro sempre manter-me informado sobre os principais acontecimentos mundiais. Entre estes, chamou-me atenção o COP15 (Conferencia das partes sobre o Clima).
Nos dias atuais é impossível falar sobre sustentabilidade sem tocar no assunto clima. Parecem assuntos entrelaçados, palavras aglutinadas. O que mais me chama atenção sobre o assunto em pauta é o quanto contraditório o mercado apresenta-se para tais metas que se definem a cada encontro como o COP15. Diminuir a emissão dos gases causadores do efeito estufa, estipular metas, gráficos, multas, créditos de carbono.
No entanto, a contradição parte das metas e dos anúncios feitos pela própria economia nacional. Como por exemplo a descoberta do pré-sal. Estima a Petrobras que a nova reserva de Petróleo e Gás Natural gigantesca de Tupi pode gerar em torno de 5 a 8 bilhões de barris. A contrapartida é delegada ao meio ambiente no qual o pré-sal gera quatro vezes mais GEE do que as reservas pós sal.
Verifica-se, portanto um país na contra-mão da história, no qual possuímos um presidente que deseja fazer justiça social com a exportação do excedente fóssil e na outra ponta um mundo que tendência a restrição do combustível sujo e inspiram ao renovável sustentável.
Constatamos que o Brasil possui 45% de sua energia nacional classificada como renovável, enquanto que os países ricos não conseguem angariar metade. O que nos leva a concluir, que o país pode substituir e se tornar detentor de tecnologia de bio combustível com um custo de oportunidade muito menor, pois possuímos vantagem comparativa sobre os países desenvolvidos nas commodities (produtos bases dos bio-combustíveis), o que nos possibilita a tornar-se um pólo atrativo aos investidores internacionais e exportadores de bens com maior liquides no mercado a longo prazo e permite a economia gerar sustentabilidade, pois maximizaremos os ganhos preservando a biodiversidade e o ecossistema.

André Hasimoto 

. Side Information



Pensando outro dia em minha república, após assistir ao programa "Roda Viva" da TV Cultura em que o entrevistado era o Economista Ecológico, Lester Brown, este dizia basicamente, lógico e também muito resumidamente, que o mercado não gera sustentabilidade devido a falta de simetria de informações e principalmente, porque o mercado é regido por uma ferramenta muito simples, porém fundamental para a economia: Oferta e Demanda. Bom, comecei a pensar sobre o que o americano quis dizer. Sinceramente, esperava que alguns dos jornalistas convidados fizessem algumas perguntas sobre o que ele disse, no entanto foi uma espera longa e sem sucesso.
Constatando o indesejado, comecei a "viajar", e pensei repentinamente: -Como que um Tênis da Nike, qualquer, chega aos EUA e pode custar tão barato? A resposta de imediato de todos seriam: mão de obra barata, devido ao seu uso pelos quais a corporação utiliza na produçao do bem. Pois bem, pensando no que Lester Brown indagou, comecei a pensar mais além. As informações que a Nike passa através do preço de venda de seus produtos será verdadeira? Por que são tão baixos? A resposta começou a fluir através de uma palavra de teoria Economica: Externalidades.
A concepção de externalidade na Economia nos remete a benefícios ou custos alocados a terceiros, e estes gerados pela interação do mercado, ou seja, oferta e demanda. O que a Nike faz aos seus produtos é negligenciar a alocação das externalidades negativas aos custos de seus produtos o que faz com que ela passe uma informação incorreta ao mercado, pois atraves de um preço muito baixo a Corporaçao consegue ofertar a um preço muito mais atrativo e absorver grande quantidade da demanda que se recusa a pagar um preço mais alto do qual o já estabelecido pela Empresa sem a locação das Externalidades Negativas. O que torna a sustentabilidade algo inviável as corporaçoes de modo geral. Entende-se por sustentabilidade, um meio de configurar a civilização e as atividades humanas, de tal forma, que a sociedade e seus membros preencham suas necessidades, maximezem seu potencial e ao mesmo tempo preservem a Biodiversidade, Ecossistemas naturais, planejando e agindo de forma a atingir pró-eficiência na manutenção indefinida desses ideais.
O que observamos através do preço de venda dos bens das grandes corporaçoes são apenas os custos referentes a sua interaçao com os seus mercados consumidores. O que as empresas geram de negativo é deixado as custas dos locais, onde estas se instalam para fabricar seus bens, para tais, que sejam esses apenas países de terceiro mundo, nos quais elas podem legar externalidades como: poluiçao, analfabetismo, trabalho infantil, semi-escravidao, problemas de saúde e tudo isto ser custeado no orçamento do Governo destes países.

André Hasimoto