. Imposto Sobre a Estupidez




A característica da perda em um jogo de azar é notória e os acasos são inúmeros pelos quais o apostador obsecado se recusa em reconhecer o vício e a real chance de ganhos. Sendo assim, quando a chance tende a zero num jogo e o ganho é de alto partido como numa megasena, as intenções do governo em promover uma comoção massiva de apostadores, é mais pertinente quando diz respeito ao imposto que lhe é cobrado em cima do prêmio, ainda sem considerar que cada bilhete emitido já é descontado o valor da empresa que proporciona a aposta.
O fato de eu nunca ter conhecido alguém que ganhou na loteria não justifica que eu julgue ela surreal, mas será que ela é tão necessária aos que apostam por ambição de ter uma quantia astronômica sem nenhum trabalho? Façamos a reflexão por outra perspectiva, quantas fiéis apostas foram deixadas ao bel-prazer do governo sem nenhuma resistência ou indigniação e cedidas pelo  concomitante trabalho?
Muitos bingos, cassinos, casas que promoviam jogos do tipo, foram fechadas por promover perdas da população, guardada as proporções, a promoção da desigualdade mais abrangente que uma loteria concerne ainda mais nas camadas de classe econômica mais desfavorável onde o anseio de sair da situação atual e conquistar algo do tipo é o único denominador pra que jogue nesse azar e subtraia ao pouco que se tem, se torna algo instigante e entusiasta.
Nesse processo as realidades são distintas, vide a intenção do estado em promover a igualdade, faça destes atos uma apologia. Certeza só se fosse visível algumas intenções nas quais permanecem desapercebidas pelos que enxergam o glamour da high society sem ao menos ter consciência da fome que se passa, ficamos no aguardo da mudança, pois a ignorância será suprida pela necessidade e não pelos olhos.


Herbert Mellø  
(Foto - Athilla Levy - Herbert Mellø)

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