O quadrúpede, a cachaça e o Brasil, qual a pergunta?

Para existir vencedores é estritamente necessária a existência de perdedores. É uma questão dicotômica de existência. Acredite, o diabo existe.

A pergunta é o que é um vencedor? O que são vencedores? Para existir vencedores precisa existir uma batalha? Para existir uma batalha os dois lados precisam saber que estão jogando? O homem joga com outro homem sem avisá-lo? O que é um povo vencedor? E um povo perdedor? O que é vencer, desenvolver, progredir, avançar, estar na ponta da ice berg?

A Angola é vencedora, e isto é uma afirmação! Claro que poderia ser, comparada com um país que vivesse em condições sociais, econômicas, étnicas e etc. inferiores equiparadas com ela. Nosso Brasil seria vencedor se fossemos o mesmo país que somos hoje, porém com o restante do mundo em um retrocesso gigantesco comparado com nós. Ou então o restante do mundo estivesse contemplando a capacidade do desenvolvimento que o Brasil encontra-se no atual momento, já que todos os demais estariam com taxas de desemprego acima das nossas, e o nível de renda menor, sendo assim com suas crianças menos alfabetizadas que as nossas, e seu povo em condições de reprodução inferior das favelas cariocas e do semi-árido nordestino. O Brasil deste modo seria o melhor país para se viver hoje no mundo, e seriamos os vencedores.

O que estou tentando dizer é que, para querermos mudança em nosso país, ou então para vermos um horizonte de mudanças e progresso, antes temos que ter a consciência de que existe um mundo melhor hoje, e que o homem em sociedade vive-se em melhores condições em outros lugares. Quando nos comparamos com eles, vemo-nos num retrocesso gigantesco, cujas necessidades por nós passadas hoje, foram superadas pelos vencedores há 100 anos.

Por que um Frances vive-se em melhores condições que um africano? Por que um Estadunidense vive em melhores condições que um Brasileiro? O que faz um povo ser prospero? Moises libertou o povo do Egito, pois seu povo estava preso e vivia em condições horríveis e como subalternos do Faraó. Moises na figura do povo Judeu tentou se libertar da prisão egípcia, pois apesar de tudo via um horizonte progressista, e uma vida melhor para cada um do seu povo.

De que modo o Brasil esta preso? E como o Brasil poderia viver em condições de um Europeu? As limitações do Lucro e a reprodução do capital global permitem que o Brasil alcance seu apogeu sem comprometer outras Nações, digo, o nosso desenvolvimento colocaria em cheque o grau de desenvolvimento dos países mais avançados hoje no mundo?

Em que medida o Brasil poderia se comprometer para fazer uma política de desenvolvimento, isto é, com amplitudes sociais, econômicas, políticas, antropológicas, raciais e etc. de modo que não precisasse de um povo subalterno para financiar seu desenvolvimento. É possível?

Sobre qual aspecto de desenvolvimento estão embasados? Qual Brasil queremos no futuro? O que esta em jogo?

Nossa soberania, nosso povo, nossa economia, nossa qualidade de vida? Ou a permanecia das nações vencedoras no poder? Existe de fato uma dicotomia? Da para todos serem vencedores?

Que política econômica o Brasil tem feito desde seu tempo de colônia? Ela se mostra eficaz para atender os Brasileiros? Quando digo Brasileiro eu falo no mulato, no negro, no baiano, no filho de escravo, no indígena, no filho de indígena, no povo que se formou das terras do Brasil, do povo que veio da áfrica e se miscigenou com os nativos e com os Lusos. Claro que o povo fugido da guerra também é Brasileiro, mas não é o mizeravel. O Miserável é o negro, o índio, o sertanejo, o homem que fala errado, que não sabe de onde veio, não sabe pra que veio, não come, não se veste, não conhece sua força, não sabe política, não sabe que é homem. É este o povo por excelência que eu falo este que sofre de preconceito étnico, racial, e que morre todos os dias de uma doença chama história.

Que política econômica satisfaz este brasileiro? Será que as altas taxas de juros, para controle da inflação ou então a política de cambio apreciado faz de nosso país um lugar melhor para os Brasileiros? Quem esta perdendo? Quem esta ganhando? Quem esta no jogo?

O desenvolvimento da formação bruta de capital fixo gera emprego? E o que é emprego? O que é renda? Para que renda? Para que Consumo? Para que Consumo autônomo, para que Tributos? A Demanda agrega se expande com a exportação de Soja? Minério? Exportar? O que esta em Jogo? Quem ganha, quem perde?

Temos que fazer nosso país crescer, temos que gerar empregos, temos que aumentar a renda, temos que exportar mais, temos que expandir os investimos, atrair capitais, valorizar, lucro... Não quero entrar em contradições e nem me abster da ótica capitalista...

Quero dentro do capitalismo entender estas questões, e o mais importante retornar ao inicio do texto... O que faremos para nos tornarmos vencedores? Ressaltando, vencedores dentro dessa dinâmica. Dentro do capitalismo precisamos vencer!

O que precisamos fazer para se tornar um povo que vive em condições tão boas e confortáveis como um Francês... Isto é direito do Brasileiro? Será que o brasileiro não esta predestinado como diria Paulo, a viver somente de seca, fome, ignorância, sede, suor, preconceito, atraso, cachaça, descaso, ingenuidade... mas ter uma vida em abundancia como diria Emanuel?

Apontar onde estão os erros é a tarefa fácil. Nossa balança de pagamentos é uma vergonha, se quisermos ser um país de ponta, temos que mudar radicalmente os contratos de pagamentos e principalmente rever esta maneira precária de fazer superávit por produtos primários, via cambio competitivo. Nosso investimento em P&D é uma verdadeira miséria, como diria Smith, mesmo que gastamos o dobro, a produção de navios precisa necessária e exclusivamente ser inglesa. Não há olhos para educação, saúde, cultura, nossa matriz produtiva esta engatinhando equiparada aos países europeus, orientais e norte americanos. Contentamos com um ínfimo petróleo bruto, enquanto temos a maior produção de energia verde do mundo. Não damos atenção alguma na valorização dos capitais estrangeiros, devido a estes RMI (Regime de Metas de Inflação), lastreados na divida (publica) do brasileiro (aquele brasileiro que me referi anteriormente) de maneira leviana.

Não estamos nem ai para as Universidades, todas elas são apenas maquinas de reproduzir apologias, não se faz ciência no Brasil, não se cria no Brasil, não se inventa no Brasil. O centro do mundo dita a melodia e o compasso, os países periféricos colocam uma seqüência de vazia de tríades e desrespeita completamente o campo harmônico brasileiro. Damos valor ao Jazz, quando inventamos o mais complexo de todas as músicas, o Baião. Executamos esta canção estrangeira, de tal modo que as universidades centrais dos países periféricos (me refiro a UNICAMP, USP, FGV) fazem a mesma coisa, tocam Jazz ao invés de frevo, e a periferia da periferia insiste também em tocar jazz em vez de samba. O mais curioso de tudo isto, é que ninguém para pra pensar, que o Jazz foi formado justamente da periferia do Centro (Sul dos Estados Unidos), e ele tem suas peculiaridades do próprio centro (Estados Unidos), cujo foi concebido do gueto, do povo, das raízes do negro estadunidense, da periferia. A periferia precisa pensar como periferia, esta é a única maneira de se conhecer, de se pensar, e de se reinventar.

No Brasil, lemos, estudamos, vivemos as necessidades do Estadunidense. As universidades brasileiras de economia estudam a expansão de suas demandas pelo modelo das vantagens comparativas, estudam inflação como o modelo da curva de Philip, e conhecem o valioso o modelo IS-LM para os nortearem a respeito de um ajuste do compulsório. É claro que a periferia quer copiar o centro, mas com o passar do tempo (1500 anos) temos visto que a escada caiu, e o caminho que eles (os desenvolvidos) subiram não esta disponível por esta via (escadas). Vejo que não existem escadas levantadas, e só os quadrúpedes não perceberam que elas estão caídas. Os donos da intelectualidade das universidades “colonizadas” brasileiras (Os Quadrúpedes) passam a ser apenas uma reprografia das vulgaridades retóricas do centro que resumindo tudo, passam e repassam a grande apologia.

Estamos colonizados, as universidades estão colonizadas, os administradores brasileiros estão colonizados, os engenheiros estão colonizados, os economistas estão colonizados, os intelectuais estão colonizados, a universidade esta ignorante como o brasileiro, a universidade e o brasileiro não mudam em nada, ambos carece da mesma miséria.

Não acredito que hoje não exista mais periferia e nem perdedores... Mas reitero minha insatisfação medíocre... Posso ficar uma dissertação de doutorado inteira apenas apontando onde nosso país esta errado, e no que é insuficiente, no que esta atravancando o seu desenvolvimento e como seu povo sofre como a universidade é medíocre, como a economia é medíocre, como a política é medíocre... Mas o coito não muda o mundo, muito pelo contrário, vira apenas história de literatura em escolas de ensino particular...

O que fazer é a resposta da primeira pergunta. O que mudar? Como mudar? Quem perde quem ganha? Quem esta ganhando com a derrota? Como fazer? Como fazer? Como fazer? Temos que desenvolver?

Por Thiago Marques